No Verão passado, envolvi-me num projecto extremamente ambicioso no qual continuo, cheia de empenho, envolvida. Esse projecto é nada mais nada menos que juntar pretos. Sim, pretos, aquelas moedinhas pequenas, aparentemente pouco valiosas, que nos chegaram pela primeira vez às mãos há sensivelmente dez anos.
Como eu ia a dizer, continuo obstinadamente a coleccionar estas moedas, que guardo em frascos de café vazios, que demoram um tempão a encher. Embora ande nisto há já mais de seis meses, o total acumulado ronda, ainda, a ridícula quantia de 18 euros. Sim, foram seis meses tão árduos para nem chegar aos 20 euros.
Se tenho moedas de um, dois ou cinco cêntimos na carteira, ajo como se as não tivesse, depositando-as, posteriormente, no respectivo frasquinho; o meu pai recebe semanalmente um telefonema meu, em que me certifico que ele anda a guardar todas quantas lhe passam pela mão; a carteira da minha mãe é rapinada sempre que venho a casa; o hóme já sabe que eu tenho o direito quase constitucional sobre os pretos dele; e, infelizmente, com os meus irmãos não posso contar, porque eles também têm esta mesma espécie de hobbie.
Ora ontem, já eu estava deitada há um bom bocado, mas sem conseguir dormir, deu-me para pensar no raio dos pretos. Afinal, sabia que estava a juntá-los como única forma viável de poupança para mim (ainda que a conta gotas), mas não sabia bem qual viria a ser, eventualmente, a sua finalidade. Até então, as hipóteses que me passavam pela ideia eram sempre à base de viagens, caprichos pessoais, roupa e afins. Mas ontem, àquela hora, tive uma espécie de epifania sonâmbula e vi a luz, isto é, o objectivo último deste meu projecto.
Pois então, ocorreu-me que há uma coisa que quero muito ter, mas que é um bocado cara; ocorreu-me que, para ter essa tal coisa, fiz um investimento de vários milhares de euros; ocorreu-me (rufos), e ainda bem, que vou usar os meus ricos pretos, fruto do meu suor e capacidades de extorsão e pedincha, para pagar um papel. Sim, um papel. Trata-se de um papel que dá pelo nome de diploma de licenciada e que, há já uns meses, tenho o desejo de ter.
E foi assim que me veio à cabeça aquela última cena do Confessions of a Shopaholic, em que ela paga todas as suas dívidas em trocos. É isto que eu quero para a minha vida! Não as dívidas, claro, mas a parte dos frasquinhos e saquinhos de moedas a servirem de pagamento para o dito papel.
Sendo assim, está oficialmente aberto um peditório, dirigido a todos aqueles que repudiam estas moedas, que acham que só estorvam e, inclusive, se as recebem como troco no supermercado as atiram para o chão. Se querem fazê-lo, então que o façam ali no Pingo Doce da Grão Vasco, em Benfica, e me avisem com antecedência que vão passar por lá, para eu montar um acampamento à boca das caixas e iniciar a recolha.
Lá para o fim do ano, hei-de apresentar-me naquela maldita secretaria, com um trolley cheio de cascalho (os ditos pretos, para quem não sabe), e hei-de solicitar, orgulhosamente, a emissão do meu rico diploma. Para tal, não se esqueçam: Pingo Doce da Grão Vasco, com aviso prévio.
Estamos combinados? Liindos!
'stracci


2 pergunta(s) sem resposta:
stracci, conta comigo :p não é que eu os desperdice, mas se um dia me der para guardar uns quantos, digo-te xD ahah
Faço a mesma coisa, ando sempre a juntá-los e já arranjei umas quantias jeitosas com eles mas em vez de pagar as coisas em trocos vou ao banco e eles ficam com eles todinhos :D
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