impune

Há que parar, há que parar quando o cansaço ameaça tomar conta de nós. Porque o cansaço - ah o cansaço! - o cansaço distorce as linhas que nos servem de horizonte e desfoca as casas que nos servem de tecto.

Há que parar e eu parei. Tirei férias do peso da existência e da responsabilidade, faltei a compromissos e combinações, entreguei.me ao ócio. (...) Se gostei? Oh, se gostei...! Se valeu a pena? Valeu.me pela vida! E o melhor, sabem o que é? Portei.me mal e não vou receber castigo!

Quem disse que temos de fazer sempre o que está correcto?!

nós

(...) e havemos de acordar sós, só nós - eu, os meus pensamentos, os meus desejos e as minhas vontades. Faremos desaparecer, num sopro, quem nos abordar e calaremos, com o olhar, qualquer som que não desejemos escutar. Ninguém despertará em nós qualquer tipo de interesse, ninguém receberá da nossa parte qualquer tipo de incentivo.
Um dia, diremos a toda gente que somos egoístas e que as existências e exigências alheias não nos dizem respeito. Nesse dia, havemos de respirar um ar e falar um idioma só nossos; nesse dia pintaremos o céu de roxo, se quisermos, e faremos crescer as árvores na sua direcção.
Há de chegar o tempo em que ninguém nos dirá o que fazer ou o que pensar; há de chegar a hora em que seremos só nós, apenas nós - livres e cheios de nós, egoístas, arrogantes e presunçosos (...)

Chegará o dia em que seremos só nós, apenas nós, muito mais nós e muito, mas muito maiores!

'stracci

doença crónica

(...) Chega-se a um ponto em que tudo incomoda, por não fazer sentido; chega-se a um momento em que se deseja silenciar todas as vozes estridentes, que apenas dizem palavras ocas; chega-se ao fim do dia e reza-se para que no dia seguinte sejamos só nós e a paisagem que por nós passa, impotente.

Do que eu sinto falta é da solidão, do cheiro dos livros, da música das palavras; do que eu sinto falta é dos monólogos, dos sorrisos egoístas, escondidos entre quatro paredes.

Se pudesse -ai se pudesse! - criava um mundo só meu, onde o sol de Inverno me queimava as faces, todas as manhãs; onde o meu café era servido sempre com um sorriso; onde cheirava a terra molhada e a pão quente a qualquer hora do dia (...)

Oh, mas que disparates digo eu?! Quem quero, afinal, enganar? O problema não reside no mundo, o problema resido no Homem. E os males do Homem - ai os males do Homem - esses são realmente difíceis de tratar!

'stracci

vruum vruuuum

E como este ano vai ser "O Ano", decidi incluir a carta de condução nos meus planos. A Dona A., aka minha mãe, está felicíssima - no entender dela, eu já devia tê-la há muito tempo.
Agora, é uma questão de arranjar tempo (e paciência!) para ir às aulas com frequência, para ver se despacho isto depressinha e antes dos exames. A escolha da escola prendeu-se mesmo com o factor proximidade de casa, para evitar usar a desculpa «demoro tanto tempo até lá!» ou «com esta chuva, chego lá encharcada!».
Bem, e posto isto, agora é começarem a pensar em juntar uns trocos, que daqui a um ano faço aninhos outra vez e nessa altura ainda não devo ter carro, estão a ver?

'stracci

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